[Entrevistando o Autor]: Logan Solo #2

14 de abril de 2015



Conhecendo um pouquinho mais do Autor Logan Solo... 



Fale um pouco de você como pessoa?

Eu sou uma pessoa que gosta de se sentar na frente do computador e criar mundos, pessoas, histórias, lutas entre homens, o conflito entre o Bem e o Mal. Mas eu gosto também de conversar, de passear ao ar livre, de respirar o ar puro do campo, de viver. Admiro os animais, desde uma formiga, até um elefante. Uma vez observei uma formiga vítima de um simples inseticida e pensei: “Então esse é o modo como um inseto morre, sofrendo assim, tanto?” Pois o simples efeito de um inseticida provoca danos terríveis, mesmo em uma forma de vida tão simples. Então, penso na maldade que ocorre à nossa volta, todos os dias, todos os minutos. Não há como refletir que a vida na Natureza, mesmo sem a ação perniciosa do homem, pode ser muito cruel, desde um simples guepardo, quando caça o antílope, e ele e seus filhotes o devoram, até a ação das formigas, que matam e devoram o que quer que esteja em seu caminho, quando se movimentam na floresta. E  o Homem, este destrói, a cada minuto, tanto a Natureza como o seu semelhante, da forma mais bárbara possível.

Gosto de assistir um filme, seja ele qual for, e pensar a respeito. Quando leio uma história ou uma notícia particularmente violenta, penso “o que leva um ser humano a praticar tal ato de looucura? E o que se pode fazer no futuro para que isso jamais se repita? O ser humano está preparado para colonizar planetas e conviver com alienígenas, se isso ocorrer no futuro distante?” Sou uma pessoa que reflete sobre a essência do Homem. O Homem como Civilização, como ente inteligente e benévolo. Mas sei que a parte ruim do Homem está presente em si mesmo, e deve ser controlada, invariavelmente.


Que cidade você nasceu?

Nasci em São Paulo. Sou paulistano, mas hoje sou mais interiorano, acredito que não conseguiria viver em uma cidade que cresceu tanto e é violenta demais, desorganizada demais.

Tem algum Hobbies?

 Eu, ainda bem, aprendi o básico para tocar uma guitarra elétrica, a partir da tablatura (é a partitura específica para guitarras, violões e contrabaixos) e da música correspondente. Isto se eu tiver a tablatura da música (esta não pode ser demasiado rápida ou difícil) e acompanhar as notas pela tablatura. Com treino, sou capaz de tocá-la. E sei improvisar em blues, o que me dá liberdade para criar. A guitarra elétrica é o meu hobby.

Qual sua cor favorita?

 Minha cor é o azul, o azul-celeste, o que se vê em dias muito límpidos de Inverno. 
(Eu também amo azul... Deu para perceber pelo blog)

Qual pessoa você mais admira?

Depois de minha mãe e de meu irmão, a pessoa que mais admiro e que mais me identifico é o Dr. Carlos Laganá de Andrade, um grande amigo meu e um psiquiatra eminente. É uma pessoa muito humana e um homem profundamente culto, uma pessoa tão boa e culta que defende a Vida em todos os sentidos e possui mais de 400 diplomas, títulos e participações em Congressos. Com duas teses de pós-doutorado, uma na França e outra na Espanha, já publicou 17 livros de Psiquiatria e me apoiou (e me apoia) muito. Sempre que eu me encontro com ele, muitas ideias frutíferas crescem em nossas conversas. Quanto a uma personalidade que eu mais admiro, incontestavelmente é Albert Einstein, outra pessoa profundamente humana e sábia, da qual a Humanidade deve muito.


Como se tornou escritor?

Comecei a escrever ainda no ginásio, quando fazia redações (cada uma em um período de cinquenta minutos, que correspondiam a uma aula de Redação). No início, as notas eram baixíssimas, por volta de 3,0. Depois, fui melhorando. Escrevia redações com temática fantástica, como histórias de alienígenas, em particular uma, que descrevia um disco voador e sua arma laser, cujo raio era um “feixe de luz azul-leitoso” (sim, essas eram as palavras exatas, como as usei na redação, para você ver que a minha memória ainda ainda está boa...)

Posteriormente, no antigo 2º Grau, ou Colegial, escrevia histórias não somente de Ficção Científica, mas também de ação, algumas bem sombrias, trágicas, mas também outras muito otimistas. Colecionei notas acima de 7,0. Ganhei uma vez um 0,5 ponto extra, com uma história com um acidente de carro cinematográfico, que a professora gostou muito. E, finalmente, culminei a minha incipiente carreira de escritor com um lugar em uma publicação do colégio, com um conto chamado “Cela”. Tratava de um atentado (com uma arma laser) contra um estadista, em um clima de muita ação.

Antes de começar a cursar a Faculdade, entrei em vários cursos de Literatura, com ênfase em Ficção Científica, em uma oficina literária. Como eu disse antes, era a Oficina da Palavra, que funcionava na Casa Mário de Andrade – onde o próprio Mário de Andrade morou –, na Barra Funda, em São Paulo. Sob a orientação do pintor, cineasta, escritor de Ficção Científica e poeta André Carneiro, aprendi a escrever, não só Ficção Científica, mas Literatura em geral e poesia. Tive as bases de como compor um texto, como dispor os personagens dentro de uma trama complexa, em um contexto social, político e histórico. Por fim, aprendi como fazer a parte mais tediosa, difícil e importante de todas: a revisão de um texto. Mas o que foi mais interessante era que o estudo na Oficina da Palavra foi exclusivamente prático, o “oficinado” aprendia escrevendo, e não decorando regras de gramática, pois a finalidade dos cursos era de “saber fazer, saber escrever”. Foi uma época de ouro, para mim, que sonhava em ver os meus trabalhos publicados por editoras.

E Julho de 1994 culminou com a publicação de meu primeiro conto “sério”de Ficção Científica: “Cientistas Perfeccionistas”, no fanzine “Warp-9”. O conto tratava de um futuro extremamente distante, em que os homens haviam atingido praticamente a imortalidade. Construíram o “Destruidor de Galáxias”, que era invulnerável e absorvia estrelas, planetas, tudo o que existia no Universo. Até que os cientistas quase imortais que o haviam criado o confinaram em uma outra dimensão. O título do fanzine se refere à velocidade máxima que a nave estelar “Enterprise”, do seriado de Ficção Científica “Jornada nas Estrelas”, podia alcançar: 9 vezes a velocidade da luz. Eu consegui publicar este conto, ao conhecer uma série de pessoas que, na época, se reunia perto da Estação de Metrô da Luz, em São Paulo. Era o incipiente CLFC – Clube de Leitores de Ficção Científica, que hoje é um grupo do Facebook, com membros de todo o Brasil.

No ano de 2000, acabei o meu primeiro romance, após treinar exaustivamente contos de Ficção Científica na Oficina da Palavra. Era um romance sem muita ação, que se passava em uma nave espacial, com disputas políticas, culminando na transformação dos “mocinhos” em seres absolutamente divinos, com poderes muito além do comum. Em 2010, comprei o meu primeiro computador, com a ajuda inestimável de meu irmão, Maurício. Sem a ajuda dele, eu jamais poderia ter escrito ou enviado meus trabalhos para as editoras. Comecei a escrever muito, elaborei outros dois romances fantásticos, mas que não estão completos, ainda, e escrevi quase trinta contos de Ficção Científica e Fantasia, entre eles os dois contos de “UTOPIA”.

Como é para você ser escritor?

Ser escritor é algo profundamente satisfatório. Tanto a partir de um primeiro momento, em que eu coloco as ideias no computador – em que não é absolutamente trabalhoso, pois as ideias vem continuamente em minha mente –, até quando termino a revisão, sinto-me em paz. Porque escrever é uma tarefa que me leva a um estado de paz como em nenhuma outra situação. Eu não me sentiria assim, se estivesse sentado em uma escrivaninha em um escritório de uma firma de engenharia, ou de advocacia. Não é de minha natureza fazer isso, mas sim, de criar, de elaborar realidades, que penso terem muito valor, se apreciadas por outros leitores.

Tem algum escritor/ livro preferido?

Meu escritor preferido é Arthur C. Clarke, pois ele conseguiu colocar em histórias fantásticas os valores que a Humanidade tem de melhor: a busca incessante pela sabedoria, a vontade de alcançar novas fronteiras do conhecimento, o desejo constante de se atingir limites cada vez mais distantes da exploração – e vivemos em uma época em que a exploração do espaço é a última, a mais desafiadora. Clarke era um homem que acreditava no ser humano. Em seus livros de divulgação científica – de Ciência –, ele procurava passar aos leitores a ideia de que o Homem é capaz de inventar, de criar, de fazer coisas que são úteis e práticas. Fazer coisas que levam à sobrevivência da espécie e que melhoram a qualidade humana são a prova de que o intelecto dos seres humanos pode ser convertido em algo profundamente bom. Sua maior obra, a obra máxima da Literatura Fantástica, e uma das grandes da Literatura em geral, é a que eu mais admiro:  “2001 – Uma Odisseia no Espaço”,  pela carga emocional e tecnológica que carrega. Provoca-me até hoje um sentimento de esperança profunda no futuro do Homem.

Qual seu maior sonho?

O meu maior sonho é conseguir escrever uma obra como “2001 – Uma Odisseia no Espaço”. Extrair o melhor de mim, me espelhar no que a Humanidade fez de melhor e de mais sábio e criar uma obra tão única e original que, para mim, seria de extrema importância. E que faria muito para os meus leitores. Não penso em mudar a personalidade de meus leitores, mas penso em fazê-los refletir e melhorar sua atitude perante a vida.


Um recado para os leitores?

Aos meus leitores, aos que desejam penetrar nos domínios do Fantástico e do Surreal, é que mantenham a curiosidade por tudo, desde a Ciência, até a Fantasia. Procurem na Internet e nos livros o que lhes agrade e informe, façam cursos de aperfeiçoamento, participem de palestras de literatura em Universidades, façam oficinas literárias, sejam ativos e sempre, sempre, mantenham sua imaginação vívida e bem cuidada. Albert Einstein disse que “A Imaginação é mais importante do que o Conhecimento”. Ele estava certo, porque, se não houvesse a capacidade de imaginar, de ter ideias, estas não poderiam nunca serem transformadas em máquinas, computadores, em livros. E os livros e a Internet são a base, hoje, para se aprender e transferir o conhecimento, em qual campo de atuação que o Homem esteja. Leiam e, se possível, coloquem suas ideias, no papel. Mesmo que não haja intenção de publicar algo, colocar os pensamentos em mídias, como computadores, e depois, porventura, imprimi-las, confere ao escritor uma melhor memorização do que ele criou.





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